domingo, 3 de novembro de 2013

CIÊNCIA E PAIXÃO OU A PAIXÃO DA CIÊNCIA



Peço desculpa por voltar à questão dos valores (axiologia) em ciência. Tenho-me defrontado com ela desde o início das leituras nesta UC. Marcado pela perspectiva marxista na minha formação inicial, órfão dela desde a sua falência na prática política, interrogo o vazio das opções positivistas que postulam a neutralidade axiológica da ciência, como já tive ocasião de referir num post anterior. 
Depois de alguma pesquisa e de leituras complementares, encontrei uma formulação que veio ao encontro das minhas perplexidades. Permitam-me que cite:
«Contra o ideal empirista da ciência neutra que separa estritamente os factos e os valores, a evolução da filosofia da ciência ao longo do século XX mostra que a racionalidade tecnocientífica não é somente uma racionalidade teórica, mas também prática e submetida, portanto, aos diversos valores que governam as acções dos cientistas. Uma filosofia da actividade científica terá de confrontar-se de novo com o debate sobre a ciência e os valores que fora estritamente posto de lado pelos filósofos positivistas da ciência.» (in: ECHEVERRÍA, Javier, Introdução à metodologia da ciência, a filosofia da ciência no século XX, Coimbra, Livraria Almedina, 2003, p.314-315). Depois, o autor desenvolve esta ideia em dez pontos, à maneira de teses, em que insiste no princípio da «pluralidade axiológica da ciência» (idem, p. 316).
Sinto-me, pois, mais confortável na abordagem da Ciência e da posição do cientista perante o seu objecto de estudo. E aceito, agora, sem reservas,

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

ARTHUR DANTO




Morreu o homem que abriu caminhos de        
entendimento para a arte contemporânea. Ver no PÚBLICO:

http://www.publico.pt/cultura/noticia/morreu-arthur-danto-o-inventor-do-mundo-da-arte-








O ALPINISTA E DANTO

Quando um jornalista perguntou ao alpinista João Garcia porque é que escalava montanhas, ele respondeu: “porque elas estão lá.”
Soube que Arthur Danto morreu hoje. Quem era este homem de quem se fala e que eu desconhecia?
Numa pesquisa rápida, dei-me com um pequeno ensaio de Danto: ”Marcel Duchamp e o fim do gosto: uma defesa da arte contemporânea”: http://www.cap.eca.usp.br/ars12/arthur_danto.pdf)
Como tantas vezes acontece aos que deixam obras marcantes, Danto continuará vivo no poder esclarecedor dos seus estudos. Rapidamente o descobri na resposta que propõe para um problema que há muito me incomoda, interroga e intriga: a arte contemporânea.
Neste texto, Danto reflecte sobre as posições de Jean Clair, director do Museu Picasso em Paris, que se tornou acérrimo adversário da arte contemporânea. Danto pega na velha questão dos conceitos de “bom gosto e mau gosto” e, numa apaixonante digressão pela História de Arte, relembra os itinerários de outro conceito desafiador, o de “abjecção”, para mostrar como ele tem de ser entendido no contexto histórico. Porque não há pensamento/acção fora da História. Veja-se a imagem de Cristo cruxificado, semi-nu e repleto de chagas, pendurado numa armação de madeira: seria chocantemente abjecta se deslocada do contexto da Contra –Reforma em que foi proposta aos crentes.
Entendi que é este o ponto de partida de Danto para nos ensinar a entender a arte contemporânea e a perplexidade que ela tantas vezes nos causa. Ao historiador-crítico de arte (designação tão usada por Vitor Serrão) não compete condenar ou absolver mas sim desvendar, entender os significados múltiplos que a arte dos nossos dias nos propõe.

À semelhança do alpinista, compete-nos ver, olhar e tentar entender a obra de arte simplesmente porque ela está lá.

J. Moedas Duarte

CIÊNCIAS SOCIAIS, IDEOLOGIA E METAFÍSICA



É estimulante mergulhar de novo nestas questões da Ciência / Ciências Naturais e Ciências Sociais. Tanto mais quanto tenho consciência de que, para fazer um trabalho de investigação na área da História ou do Património –as que mais me interessam – necessito de um roteiro teórico-prático que me guie no processo de construção do conhecimento. E esse é o MÉTODO.

Parece-me crucial reconhecer a importância do método na abordagem científica, entendendo-se como método o conjunto de regras e de técnicas escolhidos para abordar qualquer objecto de

HÁ UMA “VERDADE” OU “PARCELAS DE VERDADE”?



HÁ UMA “VERDADE” OU “PARCELAS DE VERDADE”?

Reflectindo sobre a possibilidade de chegar à verdade a partir das teorizações do Círculo de Viena (neopositivismo) e das contribuições/correcções de Karl Popper, anoto:
Nas Ciências Sociais (CS) como nas Naturais (CN) parte-se sempre de um problema para o qual se propõem soluções que devem ser alvos de crítica, (tentativa/erro/nova tentativa/novo erro…

K. Popper diz textualmente: “A tensão entre saber e não-saber conduz ao problema e à tentativa de solução. Porém, jamais é superada” (cf. K.Popper, Em busca de um mundo melhor, ed. Fragmentos, Lisboa, 1989, cap. A lógica das Ciências Sociais, pp. 71 e sgts). Portanto:

CIÊNCIAS SOCIAIS E HUMANAS

ISTO ESTÁ TUDO LIGADO

Quando me iniciei nos estudos universitários, na Faculdade de Letras, tive grandes discussões com antigos colegas de Liceu que tinham ido para o Técnico. Eles defendiam o primado das “ciências exactas”, contrapondo-as às minhas “humanidades”. Acantonados atrás da Matemática e da Física, desvalorizavam o que consideravam “as especulações subjectivas da Filosofia e as descrições fantasistas da História “.
Valeu-me um mestre, o prof. Borges de Macedo, que na disciplina de Teoria da História, logo no 1º ano da Licenciatura, nos conduziu às grandes questões das Ciências Sociais.

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

DIA MUNDIAL DOS CORREIOS




Hoje é o dia mundial dos Correios. Um serviço de alto valor civilizacional.
Veja-se AQUI uma referência muito apropriada.

(Foto: blogue PORTUGAL ANTIGO)


Poderoso meio de coesão nacional, a privatização que se anuncia é uma ameaça que pesa sobre esta empresa nacional lucrativa.
As edições de álbuns temáticos em que o selo se alia ao estudo e divulgação do nosso Património Cultural, constituem um valioso espólio documental que não pode ser posto em causa.



O Carteiro de Pablo Neruda, um dos filmes da minha vida!


quarta-feira, 10 de julho de 2013

MOTIVAÇÃO PESSOAL



Por que razão resolvi  candidatar-me à frequência do Curso de Mestrado em Estudos do Património da Universidade Aberta?

Tendo-me licenciado em História na Faculdade de Letras da Universidade Clássica de Lisboa,  fui professor efectivo de História no 2º Ciclo do Ensino Público entre 1971 e 2008, ano em que me aposentei. Sempre entendi que o meu papel social não se esgotava na sala de aulas e deveria estender-se à prática de uma cidadania activa. Na Escola exerci todos os cargos de gestão e coordenação; na cidade onde vivo fui autarca (dois mandatos na Assembleia Municipal); participei e continuo a participar como dirigente no associativismo cultural: Cine-Clube de Torres Vedras, Cooperativa de Comunicação e Cultura de Torres Vedras, Associação para a Universidade da Terceira Idade de Torres Vedras e Associação para a Defesa e Divulgação do Património Cultural de Torres Vedras (ADDPCTV) – onde actualmente exerço o cargo de Presidente da Direcção. Além disso colaboro regularmente na imprensa regional com textos ligados às questões de carácter cultural.

A Associação do Património (ADDPCTV) tem sido, sobretudo desde que me aposentei, a casa onde mais gosto de estar e onde me sinto mais útil. É uma associação com 34 anos de existência, e em actividade ininterrupta, o que já vai sendo uma raridade nas colectividades do mesmo género. Com três outras colectividades torrienses constituiu, há dez anos, o FORUM DAS ASSOCIAÇÕES CULTURAIS DE TORRES VEDRAS, entidade que, com a parceria da Câmara Municipal e a partir de verbas do QREN, se lançou na construção de um edifício/sede no Centro Histórico da cidade, o qual vai ser inaugurado ainda este ano.

Trata-se, pois, de uma nova fase na vida da ADDPCTV, mais exigente, pela maior visibilidade e pelas expectativas da população. Ultrapassou a fase pioneira da denúncia da indiferença e desleixo quanto ao Património ou dos atentados urbanísticos. Dela se espera agora uma intervenção mais qualificada e a prestação de mais diversificados serviços, correspondendo, aliás, aos desafios da Lei de Bases do Património Cultural (Lei nº 107/2001).

Com efeito, - falo agora como candidato ao Mestrado na área dos Estudos do Património – considero essa lei um instrumento de grande valia para a abordagem das questões do Património e um ponto de referência essencial para a minha própria formação. O conteúdo do seu articulado é um manancial de conceitos e orientações que estou longe de dominar e me desafiam ao seu estudo e aprofundamento.

Foi na elaboração do Plano de Actividades para esta nova fase da vida da nossa Associação que me consciencializei da necessidade de adquirir e aprofundar  conhecimentos na área do Património Cultural. Tal como a ADDPCTV, também eu deverei aceder a uma nova fase, estudando, sistematizando, comparando, concluindo. E que isso se faça sob a orientação de professores qualificados, seguindo um plano de estudos e, se possível, elaborando um trabalho final que contribua para o enriquecimento da comunidade em que vivo.

Mais especificamente, tenho como objectivos da minha formação:

·           > Conhecer os conceitos teóricos básicos para a compreensão do Património Cultural na História da humanidade

·      > Estudar a legislação relativa ao Património em articulação com as convenções nacionais e internacionais sobre o mesmo

·      > Reconhecer e valorizar o Património como elemento gerador de identidades, heranças e espaços de memória

·      > Adquirir instrumentos de análise que permitam elaborar pareceres e fazer propostas bem fundamentadas nas questões de gestão, conservação e divulgação do Património Cultural

·           >   Aprofundar conhecimentos de História da Arte e Arqueologia

·     > Conhecer e utilizar métodos de recolha e tratamento de dados relativos à memória do Património Cultural material e imaterial

·           >   Conhecer e comparar estratégias, meios e processos de divulgação dos bens patrimoniais



Em resumo, pretendo aperfeiçoar a minha intervenção como agente mais competente de cidadania activa no âmbito da defesa, preservação e divulgação do Património Cultural e Natural da cidade, da região e do país em que vivo. E, cotejando a minha pretensão com a oferta de formação constante do plano de estudos do Mestrado em Estudos do Património da Universidade Aberta, decidi candidatar-me à sua frequência.